
24/04/26
O analógico voltou
O mercado ficou eficiente demais para continuar interessante
Quando tudo parece “bem resolvido” demais, design, textura, narrativa, acabamento, o olhar não relaxa. Ele investiga. Porque o polido, hoje, também é um tipo de máscara.
13/02/26

Quando tudo parece “bem resolvido” demais, design, textura, narrativa, acabamento, o olhar não relaxa. Ele investiga. Porque o polido, hoje, também é um tipo de máscara.
A consequência é silenciosa, mas grande: a confiança está migrando do impecável para o evidenciado. Do que parece pronto para o que revela trabalho feito com intenção.
Essa virada não é só estética, é um ajuste cultural, a confiança, então, procura outros sinais. Quando uma peça carrega irregularidade, textura, tempo, uma marca comunica algo difícil de falsificar: dedicação e esforço, o craft.
O artesanal voltou como critério, mercado global de handimade chegou a US$ 739 bi em 2024, com projeção de US$ 983 bi até 2030. Há disposição para pagar por tempo, mão e cuidado.
O artesanal já é mercado (e não pequeno).
Esse deslocamento cultural aparece em números: o mercado global de handicrafts foi:
O imperfeito se afirma como linguagem de confiança, uma recusa ao fazer genérico. Do esforço para a estética: quando dedicação vira diferencial competitivo.
O Ewerton Mokarzel descreve essa tensão para as marcas:
“Quando todo mundo veste moletom, o terno vira atitude. O mesmo está acontecendo com as marcas.” [2]
Marcas que querem ser percebida precisa reintroduzir contraste. Hoje, contraste é densidade: trabalho, herança, acabamento não genérico. Não para parecer chique, mas comprometida. Sinalizar dedicação é vital, essa é a adaptação cultural.
Na moda, o desfile da Prada menswear Fall apresentou camisas com manchas deliberadas na coleção masculina de 2026, como peças vividas e tiradas do armário, remetendo a sinais que só o tempo faz, o perfeito perdeu credibilidade.
Um exemplo consistente de marca grande que transforma imperfeição em confiança é a Patagonia, com o ecossistema Worn Wear: incentivo a reparar, recomprar, reutilizar e manter peças em circulação. A própria marca posiciona a lógica como “wear it, repair it, repeat” e estrutura iniciativas de troca e cuidado do produto. [4]
Outro case que retrata essa mudança é da Apple, que lançou uma nova vinheta de abertura do Apple TV feita com efeitos práticos e capturada in-camera, nada de “simulação digital” como atalho. A sequência foi construída a partir de versões físicas em vidro do logo, com movimento e luz reais criando o efeito; em parceria com a TBWA\Media Arts Lab. O detalhe que importa: essa vinheta aparece antes de todo conteúdo, com variações de 1s (trailers), 5s (séries) e 12s (filmes). [5]
Em 2026, a beleza vem do imperfeito.
Fontes:
[1] Grand View Research
[2] InfoMoney — Ewerton Mokarzel, A volta da formalidade no branding (InfoMoney)
[3] Vogue
[4] Patagonia
[5] MacRumors
739,9 bi
de dólares estimado (2024)
983,1 bi
de dólares projetado até 2030 [1]