
21/05/26
Marcas brasileiras têm vergonha de ser brasileiras?
O Brasil virou produto de exportação — e boa parte das marcas brasileiras ainda não percebeu
Pela primeira vez em uma década, o tráfego automatizado superou o humano: 51% da web em 2024 foi gerada por bots.
04/12/25

Pela primeira vez em uma década, o tráfego automatizado superou o humano: 51% da web em 2024 foi gerada por bots, e 37% desse total são maliciosos, criados para enganar, fraudar e vender [1]. Ao mesmo tempo, 62,3% das pessoas usam o Instagram para pesquisar produtos, e 37% afirmam que tendem a comprar o que está em alta [2].
O feed, que deveria aproximar, virou vitrine. O que parece diálogo, na verdade, é oferta. Aqui, você é a mercadoria. Sua atenção é a moeda. Como disse um participante de pesquisa qualitativa da FutureBrand:
“Você só fica passando, passando no feed… quando vê, tá pior do que quando entrou.” [3]
Entramos pra nos conectar. Mas será que ainda tem alguém do outro lado?
A internet nasceu como rede. Virou funil. Curtidas, comentários e DMs não garantem presença, só aparência. E por trás de cada post “espontâneo”, há uma estrutura de conversão. O e-commerce, afinal, já movimenta mais de US$ 4 trilhões por ano [4]. Essa não é apenas uma mudança de linguagem. É uma mudança de propósito.
Mas e se a comunidade voltasse a ser o centro da conversa? Em vez de automatizar presença, algumas marcas estão reumanizando a lógica de conexão.
Há caminhos possíveis para marcas que querem resgatar o humano no digital. Criar espaços de coautoria: as pessoas querem pertencer, não só consumir, e reescalar o tempo comunidade exige escuta, presença e consistência.
Marcas e coletivos que recusam a lógica da vitrine e transformam atenção em presença, escuta em comunidade viva. É o caso do Chapadinhas de Endorfina, idealizado pela plataforma Obvious. O projeto nasceu nas redes, mas ganhou corpo fora do scroll: hoje organiza encontros, treinos, eventos presenciais que reúnem mulheres em torno de bem‑estar, autocuidado e sororidade. Os “treinões” criaram comunidades espalhados pelo Brasil e patrocinados por marcas como Dove: promovem pertencimento, suporte mútuo e celebração do corpo em movimento. Em cada edição, centenas de mulheres participam, compartilham experiências, celebram suas transformações e constroem comunidade de verdade.
Esse movimento revela algo fundamental: no contexto de automação, bots e feeds‑funil, o que realmente importa é humanidade real. O Chapadinhas de Endorfina prova que a comunidade não se inventa com algoritmo, constrói‑se de corpo presente, escuta ativa e ritual compartilhado.
A gente entrou pra se conectar. Mas será que ainda tem alguém do outro lado?
Fontes:
[1] Bad Bot Report
[2] Oberlo / DataReportal
[3] Pesquisa qualitativa FutureBrand
[4] The Global Statistics