
13/02/26
Estamos saturados da perfeição?
Quando tudo parece “bem resolvido” demais, design, textura, narrativa, acabamento, o olhar não relaxa. Ele investiga. Porque o polido, hoje, também é um tipo de máscara.
Água quente com limão. Tai chi na praça. Ervas “para equilibrar o qi”. Práticas que mostram um desejo por vida integrada.
26/02/26

Água quente com limão. Tai chi na praça. Ervas “para equilibrar o qi”. Práticas que mostram um desejo por vida integrada.
O termo “Chinese era / Chinamaxxing” viralizou justamente porque captura esse deslocamento: menos “virar chinês”, mais “sair de um modelo de vida que não sustenta o futuro”. [1]
A China como cenário aspiracional: da estética ao sistema
A escala de interesse em cultura chinesa nas plataformas é grande demais para ser reduzida a meme. E, quando um país vira repertório cotidiano, ele passa a operar como referência de desejo, o que, no fundo, é soft power em estado prático.
Não por acaso, no Global Soft Power Index 2026, a China é descrita como tendo dado um salto de reputação (subindo 9 posições nesse indicador) e ficando acima dos EUA em reputação, além de superar os EUA em parte dos atributos medidos. [2]
A China entra como cenário aspiracional quando a cultura americana perde apelo emocional
O “american dream” sempre foi mais do que consumo: foi promessa de autonomia, ascensão e individualidade recompensada. O que esse movimento sugere é uma fadiga dessa promessa.
Por contraste, essa “orientalização” de hábitos aparece como esperança de rotina integrada, harmônica e em comunidade, um imaginário de vida menos fragmentada, menos isolada, mais “organizada por dentro”.
E isso não está desconectado do macro. Soft power, aqui, não é propaganda. É atratividade prática: o quanto um país parece oferecer um mundo que funciona.
“O novo ‘Made in China’ não compete só por custo — compete por cultura, tecnologia e relevância.”
Ewerton Mokarzel — CEO FutureBrand
Isso fica evidente quando o desejo sai do feed e vira movimento físico.
Em 2025, a Administração Nacional de Imigração da China reportou 697 milhões de entradas e saídas de viajantes (+14,2%), incluindo 30,08 milhões de entradas sem visto (alta de 49,5% vs. ano anterior). [4]
Quando a narrativa aspiracional começa a produzir deslocamento real, já estamos alem da estética.
Adidas Tang Jacket: o local que virou global por especificidade cultural
A jaqueta Tang da Adidas: com gola mandarim e fechamento reto, elementos típicos da moda chinesa, foi um lançamento exclusivo para a China que despertou desejo global. O sinal aqui não é “adotar símbolos”, mas fazer parte da cultura local.
Anta Sports (China): competir com Nike não é só produto. É arquitetura de portfólio
A marca chinesa Anta Sports não está “tentando ser a Nike”, está construindo poder global via portfólio e aquisições, como a Amer Sports (que reúne marcas como Salomon e Arc’teryx), além de crescimento agressivo e presença internacional. [5]
Esse é um movimento que reclassifica o “Made in China”: de origem industrial para estratégia de marca e governança global de desejo.
O que significa o futuro agora que a China é a nova referência?
Fontes:
[1] Time
[2] Global Soft Power Index 2026
[3] Tiktokhashtags
[4] National Immigration Administration
[5] Exame
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#chinese
31,9 bi views
#chinesefood
161,5 mi views
#chinabeauty
08/05/26
O branding precisa de um rebrand
A indústria que ensinou marcas a se reinventarem agora precisa atualizar o próprio modelo